Archive for ‘PRESS’

6 de Dezembro de 2014

Fernando Guimarães sobre Boca Aberta

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Fernando Guimarães, sobre o livro de poemas BOCA ABERTA, de Paulo Ramalho (Companhia das Ilhas, Julho de 2014), in JL, 12 de Novembro de 2014

20 de Outubro de 2014

OUTONO COMPANHIA DAS ILHAS

Em SETEMBRO, saímos com POESIA, UM DIA, livro que reúne poemas de Carlos Alberto Machado, Hélia Correia, Jaime Rocha, José Mário Silva, Margarida Vale de Gato e Miguel-Manso, criados durante as residências de escrita POESIA, UM DIA, da Biblioteca Municipal José Baptista Martins, de Vila Velha de Ródão.
Também neste mês oferecemos espaço à reflexão com CONJUNTO HOMEM, do jovem cientista (Instituto Albert Einstein, Suíça) e performer Jácome Armas: com recurso a ferramentas da ciência e da lógica formal, uma crítica às formas totalizantes de pensar o mundo.
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JACOME_Capa_REV1Já neste mês de OUTUBRO, demos corpo a um novo projecto literário açoriano: a revista TRANSEATLÂNTICO que, como diz o seu director, Nuno Costa Santos, «quer incentivar a escrever, de modo ficcional ou ensaístico, sobre o que são os Açores hoje – nas suas novas entranhas. Nas suas personagens, nas suas tensões biográficas, nos seus sonhos e ilusões, nos seus conflitos e acidentes. Mas também nos seus costumes, nos seus pequenos hábitos e nas suas expressões verbais.» Participam neste número zero: Alexandre Borges, Bianca M, João Pedro Porto, Joel Neto, Leonardo, Luís Rego, Maria das Mercês Vasconcelos Pacheco, Mariana Matos, Mário T Cabral, Paula de Sousa Lima, Renata Correia Botelho, Rogério Sousa e Rui Jorge Cabral. A Leonor Sampaio cabe a apresentação. Daniel de Sá (1944-2013) é entrevistado por Nuno Costa Santos. Duarte Belo colabora com um portfolio fotográfico. Miguel Real é o escritor convidado. Vasco Medeiros Rosa apresenta Dispersos, de Vitorino Nemésio. Próximas apresentações: LISBOA, dia 3 de Novembro, na livraria FERIN; HORTA, 10 de Novembro, ANGRA DO HEROÍSMO, 11 de Novembro.
TA0_Capa_FinalNo dia 25 de Outubro, no TEATRO MERIDIONAL, em LISBOA, será apresentado o número 8 da colecção AZULCOBALTO | TEATRO, com dois textos: PARKING, de Jorge Palinhos, e DESMATERIALIZAÇÃO, de Tiago Patrício. Estas duas peças foram elaboradas no âmbito do Laboratório de Dramaturgia do Meridional. É uma co-edição Companhia das Ilhas/Teatro Meridional/ Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
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Três obras marcam, de modos diferentes, o mês de NOVEMBRO. Em A MORTE DOS OUTROS reúnem-se finalmente em livro prosas dispersas que o poeta Paulo da Costa Domingos publicou nos anos 80-90 na imprensa periódica, sob a ideia estilística genérica de “apócrifos”, exercício literário em que, com a necessária humildade e sem ilusões, são imitados autores como Vincent Van Gogh, Andrei Tarkovskii, Arsenii Tarkovskii, Jorge Luis Borges, Mikahil Bakunine, Carlos de Oliveira e Vitorino Nemésio. Ou talvez não… Será apresentada em LISBOA, na 2ª quinzena de Novembro.

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Em TEATRO REUNIDO (2000-2010), de Carlos Alberto Machado, juntam-se 13 peças de diferentes matizes. Algumas delas foram encenadas, quer pelo próprio autor (AQUITANTA e RESTOS. INTERIORES), quer por companhias profissionais e agrupamentos de amadores: Teatro o bando, Companhia de Teatro de Almada, CITAC ou Passagem de Nível, entre outros. O volume será apresentado na segunda quinzena de Novembro, em LISBOA, ÉVORA, COIMBRA e PORTO, assinalando os 60 anos do dramaturgo.

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De Onésimo Teotónio Almeida, professor catedrático na Brown University (Providence, Rhode Island, EUA), autor de uma extensa obra ensaística e ficcional, publicamos MINIMA AZORICA. O MEU REINO É DESTE MUNDO: uma recolha de textos dos últimos vinte e cinco anos, na sequência de AÇORES, AÇORIANOS, AÇORIANIDADE (1989) prolongando reflexões e abrindo espaço para outras. A obra será apresentada pelo autor e convidados em 4 ilhas do arquipélago dos Açores, em DEZEMBRO – FAIAL (a 8), PICO (a 9), TERCEIRA (a 10) e S. MIGUEL (a 11) –, entre 8 e 11 de Dezembro próximo. Em LISBOA, no próximo ano (6 de FEVEREIRO).

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5 de Agosto de 2014

José Mário Silva sobre o Call Center, de Henrique Manuel Bento Fialho

José Mário Silva sobre o CALL CENTER, de Henrique Manuel Bento Fialho (Expresso-Actual, 2 de Agosto de 2014)

JM Silva sobre Call Center

3 de Julho de 2014

Henrique Fialho sobre NA LUZ INCLINADA

NA LUZ INCLINADA

Capa_Dempster_Luz_inclinadaAs quatro partes que compõem Na Luz Inclinada (Companhia das Ilhas, Março de 2014) remetem para as estações do ano, começando cada uma delas com um poema em prosa ao mesmo tempo introdutório e sintetizador do tom geral dos poemas decorrentes. Esta escolha é reveladora de uma necessidade de organização que talvez se perdesse dado o carácter autónomo de cada um dos poemas, sendo que, neste caso, eles se ligam pela substância e não por uma intenção prévia de desenvolvimento temático. Na realidade, esta recolha de trinta e seis poemas reenvia-nos para os temas predilectos de Nuno Dempster (n. 1944). Quem conheça os seus livros anteriores, por certo não ficará insensível à coerência e à objectividade discursiva de uma poesia que começou a ser publicada tardiamente (2008) mas vai já em oito apreciáveis volumes. Quem desconheça os livros anteriores do autor, tem aqui uma excelente oportunidade para entrar em contacto com alguns dos seus melhores momentos.

A Primavera de Nuno Dempster respeita, em certa medida, a tradição: é tempo de fertilidade e de êxtase natural. Por outro lado, a exultação da natureza apela a uma suspensão do pensamento e, por consequência, a uma concentração no sentir que acaba por encalhar nas dúvidas e nos anseios do pensamento. Daí que à interrogação final do poema Tílias antes do solstício — «Se a poesia se cala acerca / dos sinais de verão, / porque haviam as tílias de existir?» (p. 14) —, os primeiros versos de Sucedâneos respondam com crueza: «Esta náusea, este / viver sozinho contra o que me cerca / e contra uma poesia só imaginada» (p. 15). Respeitando a tradição, esta Primavera de Nuno Dempster é, igualmente, devoradora do imaginário idílico que a poesia consagrou à sua estação. Poemas como Invocação aos hesitantes e Antibucólica, ou a espécie de lamento doméstico implícito em Anúncio, estão entre os melhores do poeta, porque rejeitam um rendilhado primaveril de passarinhos cantarolantes e corolas florescentes preferindo cotejar esse momento da criação com a morte que toda a vida pressagia: «O sol não nasce em cada dia? Nasce. / O que é que um morto tem na boca? / Um tijolo amassado com o seu próprio barro. / Indecifrável? Passe. Não tem nada escrito / e a todos cabe o seu conforto» (p. 16).

Magníficos versos, estes onde a vida e a morte se interligam com uma naturalidade que a poesia autêntica não deixa iludir. Importa sublinhar, porém, que a náusea e a solidão testemunhadas em alguns versos não exibem posturas estéticas vazias de conteúdo, são fruto de uma experiência de vida, de uma maturidade onde os afectos se afirmam também pela sua ausência, onde o eros se manifesta em estado onírico e a realidade, pelo contrário, sublinha o declínio de que a passagem das estações é apenas o ritmo marcado pelo tempo (esse grande maestro). Deste modo, o Verão é, logo a abrir, tempo de férias e de incêndios, reminiscência da guerra na passagem de um helicóptero; o Outono avoluma a noção do declínio, introduz o sentimento de finitude e a sensação de exílio que a ausência e a perda do outro confere; o frio do Inverno recorre à memória, refugia-se numa segunda pessoa cuja proximidade é a das memórias passadas, recorre a retratos e a recortes paisagísticos, vivenciais, onde a busca de consolo parece constantemente estorvada por uma insatisfação idiossincrática e, sobretudo, pela consciência interna do Tempo na «lama idealmente branca» (p. 51).

Note-se, a título de exemplo, como o poema Instalação, da terceira parte, sintetiza com notável poupança imagética este pathos tatuado pela transitoriedade:

Instalação

Eu tinha suspeitado, o restaurante,

as casas conhecidas.

Uma vaga ameaça rodeava-me

naquele outono, a força de gravidade

que impele ao suicídio, entenda-se

a que enevoa e arroja em direcção

ao lugar onde irá ficar hirto

aquele que viveu em mim.

Alguém, quase um rapaz, abriu-me a porta.

A meio do jantar, contei-lhe:

«Andei por estes sítios,

bebi do vosso vinho, conheci

a rainha das vossas castas

e outras coisas da terra,

a poda, o milho, a rega,

as vacas que iam à ordenha no crepúsculo,

o fumo das lareiras

flutuava em estratos no ar de Outubro

e cheirava a castanhas no borralho.»

«Andou então por cá?»

Não respondi e logo perguntei:

«Conhece o Jorge, o António, a Mariana?»

«O Jorge era o meu pai, morreu,

e morreu o meu tio António,

a Mariana vive, quase cega.»

Uma névoa afundou-me

no tempo que deixara

de ser medido há muito.

Tudo estava parado, e iam surgindo

Estátuas de amargura.

Ainda perguntei: «E o seu tio Alberto?»

«Ah, esse vive, pois.» Parecia-me alegre,

e confessei: «Eu era amigo dele,

e um dia foi-se.»

«Mas está aí. Vou chamá-lo, se quiser.»

Não, não queria.

Perguntou-me quem eu era.

Não respondi, não ira responder-lhe,

não sou nenhum romeiro,

o Romeiro, aliás, nunca existiu,

não podia existir, tonitruante.

Carreguei as estátuas à saída

e trouxe-as para casa,

e no fim do poema

a instalação tornou ao restaurante,

mas sobrevive, oculta, na memória.

Talvez ficasse bem uma referência à agilidade elegíaca de um diálogo aparentemente circunstancial, mas o poeta transferiu essa circunstancialidade para o poema. Esta transferência, que aponta, talvez, para o carácter essencialmente biográfico de muita desta poesia, pode iludir pelo artifício técnico, mas não deixa ilusões quanto à capacidade que Nuno Dempster mais uma vez revela de, indo buscar matéria à memória, interpelar-nos a nós como também ele é interpelado pela «vida solitária» escondida por detrás dos livros. A isto chama-se autenticidade, que não é o mesmo que dizer confessionalidade ou mesmo verdade. Se não é tudo, é muito. É quanto me basta.

Henrique Manuel Bento Fialho – Antologia do Esquecimento (29 de Junho de 2014)

21 de Abril de 2014

Lava de Espera – Livro do Dia TSF (14 de Abril de 2014)

Lava de Espera: Livro do Dia TSF (14 de Abril de 2014)

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16 de Abril de 2014

Lava de Espera, de Fátima Maldonado, lido por Manuel de Freitas

O livro de Fátima Maldonado, LAVA DE ESPERA (Companhia das Ilhas, colecção mundos nº 1, Março de 2014), com recensão crítica de Manuel de Freitas no jornal Expresso, suplemento Atual, de 12 de Abril de 2014.

Freitas sobre Maldonado

3 de Março de 2014

Rua de Baixo com Borbulha no Rabo

Andreia Rasga, do Rua de Baixo, escreve sobre o A BORBULHA NO RABO. POEMAS TERRÍVEIS PARA MENINOS TERRÍVEIS, de Gez Walsh, em versão portuguesa do poeta Helder Moura Pereira (Companhia das Ilhas, 2013):

Terrivelmente divertido

«Para crianças que gostam de rir, especialmente do disparatado, estes poemas são o melhor dos antídotos contra o mau tempo, a chuva e as saudades das atividades ao ar livre. Histórias do quotidiano, personagens lá de casa, bichos e aventuras, em textos cheios de ironia completamente desconcertantes.

Gez-Walsh-BorbulhaÉ impossível não folhear A borbulha no rabo (Companhia das Ilhas, 2013) sem soltar gargalhadas entre páginas. Os remates dos poemas deixam as crianças espantadas e os adultos ao rubro, rindo em conjunto, repetindo as frases e comentando as diabruras e aventuras de dezenas de figuras e momentos.

Este livro consegue ser terrivelmente divertido e completamente louco, levando um adulto a questionar: “será que devo mesmo ler isto ao meu filho?”. Contudo, partilhar estes poemas que falam de tirar macacos do nariz, dar traques, de pés malcheirosos, dos pêlos do nariz do avô, do bebé borrado, de dentaduras e arrotos, pode ser uma via divertida de mostrar o permitido e o proibido, o que é a brincar e o que é bem real.

O autor Gez Walsh usa, de uma forma ímpar, o humor para desenvolver a capacidade de comunicação das crianças, para lhes abrir limites, dissolver vergonhas e os ensinar onde estão os modelos e onde começa e acaba o politicamente correto.

A versão portuguesa resulta em pleno, graças à adaptação da autoria do poeta Helder Moura Pereira, que traduz e recria estes poemas transpondo-os perfeitamente para a nossa cultura, para a nossa realidade. Sem mazelas, sem perdas.

Neste livro não há tabus e a moral de cada um dos poemas molda-se aos olhos de quem lê. Então, folheadas as primeiras páginas, lida uma mão cheia de poemas, soltadas umas quantas gargalhadas, é impossível não chamar uma criança e ler em voz alta, espreitando sempre o ar deslumbrado com que os mais pequenos descobrem um livro com quase a mesma quantidade de poemas terríveis quantas as ideias, também terríveis, que eles próprios têm na imaginação. Tudo permitido, autorizado e partilhado com um adulto, igualmente terrível.»

4 de Fevereiro de 2014

Borbulha e Facas na Ler de Fevereiro

Na revista Ler deste mês de Fevereiro oferecem-nos duas miniaturas simpáticas: A Borbulha no Rabo, de Gez Walsh, versão portuguesa de Helder Moura Pereira (colecção do outro lado do espelho); Facas, de Valério Romão (colecção azulcobalto).

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4 de Outubro de 2013

Luís Osório e O Boato, de Alexandre Borges

Um dia que quase parece de uma outra vida, há mais de dez anos, três universitários apresentaram-me um projecto de televisão. Creio que era sobre o conflito de gerações, o que não me aqueceu ou arrefeceu – porém, a conversa que deveria acabar em 15 minutos durou até hoje. Nasceu uma amizade com cada um deles: Miguel Romão, Nuno Costa Santos e Luís Filipe Borges.

Estava obcecado com uma ideia, um projecto de televisão onde coubessem todos os programas do mundo e que mudasse os canais pelo espectador. Ao fim de três frases percebi que fariam parte da equipa, tinham o rasgo e a convicção de que o mundo pode ser mudado. Daquele encontro, de que pouco ou nada esperava, nasceu uma amizade e um projecto a que demos o nome de Zapping. A eles se juntou, entre outros, Alexandre Borges, irmão mais novo do Luís que, açoriano de Angra do Heroísmo, acabara de aportar a Lisboa para iniciar o seu curso de Filosofia. É dele que vos quero contar.

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27 de Julho de 2013

Maroiço, de Manuel Tomás, na coluna de Nicolau Santos

manuel tomas-expresso_nicolau santos 20130727Expresso/Economia, coluna de Nicolau Santos, 27 de Julho de 2013

 

6 de Julho de 2013

Eu depois inventei o resto

Helder Moura Pereira: Eu depois inventei o resto

por Edgard. P. Reis, blogue Ideia Subalterna

No primeiro semestre, registramos a presença do poeta português Helder Moura Pereira em dose dupla. O poeta, que estreou em companhia de (hoje) importantes nomes da literatura de seu país, num singular e distante Cartucho (1976), uma sacola, lacrada a chumbinho e cordel, com poemas amassados dentro, reaparece em dois lançamentos quase simultâneos. Em coletânea de maior fôlego, na sequência de mais de 20 livros de poesia, foi lançado Pela parte que me toca, em selo da Assírio & Alvim. Desde o volume Um raio de sol (2000), esta tem sido a chancela dos livros de HMP. Em fôlego reduzido, mas de dimensão não menos significativa, surge Eu depois inventei o resto, edição limitadíssima, sob a chancela de Companhia das ilhas, dos Açores. Em outros momentos, Helder Moura Pereira também reabasteceu suas invenções e lirismo através de pequenas edições, (CfEm cima do acontecimento em 1995).

30 de Junho de 2013

Urbano Bettencourt ou a demanda poética

“aqui o homem ergue
uma ilha e olha
as palavras cercadas de cal
até onde o olhar se afoga”. (pág. 23)

Neste “mui penoso e perigoso ofício de criticar” – conforme nos diz D. Francisco Manuel de Melo, no seu incontornável “Hospital das Letras” – persisto e insisto em falar de livros de autores nossos. E já ando nisto há quase 40 anos…
Desta vez trago à baila um poeta que, de furtivo em furtivo livro, reabilita a palavra poética e o sentido mágico do poema: Urbano Bettencourt, cavaleiro andante por amor à literatura, açoriano que vive entre a ilha e a viagem, e de quem acaba de ser lançado um livrinho (de bolso) imperdível: Outros nomes outras guerras – Antologia (Companhia das Ilhas, 2013). Trata-se de uma seleção de poemas que o autor resgatou de outros livros seus, e a que acrescentou cinco inéditos.
Atente-se, para já, no título do livro. Nomear é criar a realidade do que se diz, pois todo o ato verbal, imaginário ou real, possui um significado e a palavra encerra sempre uma carga significativa. Neste livro, o poeta revisita lugares, (de antologia é o poema “Angra”, págs. 41-43), acontecimentos, coisas e pessoas que povoam o seu imaginário, isto é, tudo aquilo que lhe ficou suspenso na (telúrica) memória. A poesia fala da experiência de quem a escreve e, por isso, é tanto mais importante quanto mais se confunde com a vida. E há, em Urbano Bettencourt, uma íntima ligação entre a vida e a escrita, ou seja, mistura de vida vivida e sentida, com (re)invenção e (re)elaboração do real.
Encontramos ainda, nos poemas de Urbano, uma conceção estética universalizante: o poeta decifra o enigma dos dias e viaja da ilha para o mundo, funcionando a ilha como uma alegoria ou uma metáfora do mundo.

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13 de Maio de 2013

Boa companhia no DN

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11 de Maio de 2013

Joana Emídio Marques com Manucure

Capa Rosalina_REV11. A Poesia antes e depois do poema

Os escritores e ainda mais os poetas são ressuscitadores de palavras enterradas ou espectrais, em plena metamorfose com as coisas que designam. Não é fácil termos a chave de um real que se desenrola ante os nossos olhos e ainda menos de um real que se transfigura à medida que o procuramos descodificar.

Mas é preciso descodificar? É preciso encontrar a chave para abrir todas as portas, abrir todas as tumbas, decifrar todos os enigmas, espreitar para dentro de todos os corpos? Já não resta em nós qualquer ponta de fé no que não tem explicação, no que escapa à lógica, à ordem racional de uma frase. Perdemos a fé no inteligível como algo capaz de nos habitar, nos acolher, nos consolar ou até… nos redimir?

Não, não creio que seja preciso decifrar o quotidiano, as almas e muito menos a poesia. Por isso não vou tentar escalpelizar os poemas da Rosalina. Não vou psicanalizá-los, nem lhe vou impor uma leitura como (adoram) fazer os ‘especialistas’. Só vale a pena encontrar uma chave se ela abrir um novo alçapão no mistério e não a sua decifração.

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2 de Abril de 2013

«O Fardo» lido (contra mundum)

Capa Madalena C Campos_REV2«Para quem tenha, ao longo do último ano, acompanhado o blogue  les cahiers de la mariée, este pequeno livro não surgirá como uma surpresa. Para quem desconheça o blogue, O Fardo do Homem Branco, publicado na Companhia das Ilhas (1) pode constituir um choque: pela agressividade verbal, pelo vocabulário e o imaginário explicitamente sexuais, pelo cinismo seco e sem exterior.