O Menino da Burra lido em Coimbra

A Mercearia de Arte inicia um Clube de Leitura de Texto Teatral, a 7 de Novembro, pelas 21h30, com o propósito de desenvolver a discussão em torno de textos teatrais, estimulando o gosto e o hábito de leitura de peças de teatro

Feira livro autor mercearia artes 2014Nesta primeira sessão a escolha recai sobre o texto “O Menino da Burra”, de Luís Campião, editado pela Companhia das Ilhas, sobre o qual apresentaremos ainda a 8 de Novembro, pelas 18 horas, o projecto fotográfico “Mal do Mundo”, da autoria de Hugo Costa Marques, num projecto editorial OffScene.

Esperamos que a afluência desta primeira sessão, inserida na Feira do Livro de Autor, permita uma continuidade deste Clube de Leitura com sessões regulares, onde serão debatidos os mais diversos temas, recaindo a escolha sobretudo em autores contemporâneos, aproximando o leitor do texto, identificando-o potencialmente com o tema abordado.

Capa Luis_Campiao_menino_burra_REV3O Menino da Burra, de Luís Campião

Colecção azulcobalto | teatro 006

Formato: 11×15 cm

48 páginas

ISBN: 978-989-8592-41-5

1ª edição: Março de 2014

PVP: 6,45 euros

 

Excerto

Chamavam ao meu pai “o menino da burra”.

Foi ele quem construiu esta taberna.

Por isso é que chamam a isto a taberna do menino da

burra.

Mas isto foi depois.

Foi depois da guerra.

Antes, quando o meu pai ouvia “lá vai o menino da

burra”,

saltava de onde estava e desatava ao soco.

Aprendi a dar socos com o meu pai.

“Não há nenhuma arma que substitua um bom soco!”

Era o que ele me dizia.

E sempre que ouvia “lá vai o menino da burra”,

saía-lhe um gancho de direita,

para desfazer a boca a quem quer que lhe chamasse

menino da burra.

E se não fosse certeiro o gancho com a direita,

ele era logo outro com a esquerda.

Aquilo não era coragem.

Aquilo era suicídio.

O meu pai era uma arma.

Levava porrada como um herói.

(…)

“O menino da burra” de Luís Campião é um texto de uma delicadeza, inteligência e sensibilidade extraordinárias. O relato animado do empregado de balcão da taberna “o menino da burra”, dirigido a um pretenso freguês, sobre uma aguardente “capaz de levantar os mortos”, é o motivo suficiente para evocar um país e um tempo já idos: o Portugal do Estado Novo e da guerra colonial, da pobreza e da ruralidade, da violência e da ingenuidade. E é também um lembrete de que por detrás dos gestos mais poéticos se pode esconder a mais sórdida crueldade.”

Rui Pina Coelho

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