Archive for Outubro, 2013

8 de Outubro de 2013

Facas na Barraca

Convite do Valério Romão: «A coisa consiste em fazer do singular quadrângulo do Bar da Barraca uma festa rija onde se tentará conjugar a inevitabilidade cronológica de somar mais uma primavera à singularidade apoteótica de fazê-lo na celebração de lançar um livro: Facas. Apresentação a cargo da insuperável Rosalina Marshall. E de que fala o opúsculo? Nas palavras do imortal crítico:

Capa_Valerio_Romao_REV3Facas é um livro que assume uma centralidade temática contrastante com a liberdade formal com a qual exprime, em mutações de forma e de tom ao longo dos contos que o compõem, as diversas declinações do objecto que empresta o título ao livro, ora sublimando-as num realismo tão mágico como grotesco, ora tornando-as as máscaras mais visíveis de uma natureza humana caleidoscópica, ora desafiando livro, leitor e lógica, desapossando-os pouco a pouco da clareza e segurança de uma definição, como quem estando na praia não saber dizer se a praia é a areia ou o mar.”

O lançamento, per se, decorre em câmara lenta, pelo que podem ir aparecendo para beber um copo, dar um pezinho de dança ou mesmo adquirir uma faquinha devidamente autografada.
Edição Companhia das Ilhas, do corsário Carlos Alberto Machado.
A fotografia jeitosa do jeitoso na badana é do Tiago Figueiredo, alquimista da imagem.»

facas lancamento12 de Outubro, 21.30, bar do teatro A Barraca (Santos, Lisboa)

 

4 de Outubro de 2013

Luís Osório e O Boato, de Alexandre Borges

Um dia que quase parece de uma outra vida, há mais de dez anos, três universitários apresentaram-me um projecto de televisão. Creio que era sobre o conflito de gerações, o que não me aqueceu ou arrefeceu – porém, a conversa que deveria acabar em 15 minutos durou até hoje. Nasceu uma amizade com cada um deles: Miguel Romão, Nuno Costa Santos e Luís Filipe Borges.

Estava obcecado com uma ideia, um projecto de televisão onde coubessem todos os programas do mundo e que mudasse os canais pelo espectador. Ao fim de três frases percebi que fariam parte da equipa, tinham o rasgo e a convicção de que o mundo pode ser mudado. Daquele encontro, de que pouco ou nada esperava, nasceu uma amizade e um projecto a que demos o nome de Zapping. A eles se juntou, entre outros, Alexandre Borges, irmão mais novo do Luís que, açoriano de Angra do Heroísmo, acabara de aportar a Lisboa para iniciar o seu curso de Filosofia. É dele que vos quero contar.

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2 de Outubro de 2013

CONFISSÕES, de José Ricardo Nunes

Intitulando-se este livro Confissões, penso que nada melhor do que um poema para ilustrar as intenções do autor, compreendendo que quando alguém escreve poesia estará, quase sempre, a confessar-se:

ESMOLA

Versos,
em brasa,
como tostões à porta de uma igreja
iluminando as mãos
de um pobre.

Apesar das instâncias, mecanismos de validação e modas nem sempre reconhecerem valor onde ele de facto existe, o José Ricardo tem sido um escritor profícuo (entre a poesia, o ensaio e a ficção vai em 11 títulos).

Tal como no resto da sua obra, nestas Confissões não encontramos a formalização pretensiosa, nem o fogo-de-artifício de palavras. Antes, pequenas subtilezas que nos convidam a várias releituras e em que nos vamos apercebendo das cambiantes, vozes que aparentando simplicidade nos levam ao âmago das suas e nossas questões existenciais: porque se arrependem, quem são estes homens e estas mulheres, conhecemo-los, o que é a morte, onde está deus?

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1 de Outubro de 2013

PEÇA ROMÂNTICA PARA UM TEATRO FECHADO

PEÇA ROMÂNTICA PARA UM TEATRO FECHADO, DE TIAGO RODRIGUES

O Tiago Rodrigues é, para mim, um dos artistas mais inspiradores da cena nacional. Autor, actor, encenador, produtor, professor (e tenho a certeza que me faltarão aqui alguns or-es – não incluí guionista nem argumentista para não me estragar a rima), Tiago Rodrigues tem construído um dos mais ricos e variegados percursos entre os criadores da sua geração. Para além de profícuo fazedor de teatro na estrutura que fundou – o Mundo Perfeito – ou em colaborações com outros (entre os quais serão de destacar os reputados S.T.A.N.), Rodrigues está associado a dois dos mais interessantes projectos de em torno da criação dramatúrgica: o Projecto Urgências (2004-2007) que, depois de três edições, organizadas pelo Mundo perfeito com as Produções Fictícias e o Teatro Municipal Maria Matos, deixou trinta e três novas peças curtas – e veio depois a desembocar no Projecto Estúdios, que consiste na realização de uma série de oficinas de trabalho em tempo concentrado e que dão origem a uma nova criação (donde resultaram os espectáculos A festa, 2008; Sempre, Pedro procura Inês e Bobby Sands vai morrer Tatcher assassina, em 2009).

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