Nunes da Rosa

A Companhia das Ilhas acaba de editar uma obra fundamental para o conhecimento da cultura e da literatura dos Açores: NUNES DA ROSA. ESTUDO E ANTOLOGIA, com selecção de textos e organização de Manuel Tomás

NUNES DA ROSA

Número 1 da Série Especial da colecção Terra Açoriana (320 páginas, 18 euros)

«»NUNES DA ROSA «»
Nunes da Rosa (1871-1946), nascido na Califórnia e cedo regressado ao Pico, estudou no Liceu da Horta e no Seminário de Angra do Heroísmo, paroquiou no Mosteiro das Flores e nas Bandeiras do Pico, e foi um contista de primeira água, pioneiro no arranque de uma literatura de marcas açorianas, onde as vivências das ilhas, das Flores (Pastorais do Mosteiro) e do Pico (Gente das Ilhas) são vincadamente assinaladas, ao ponto de Tomás da Rosa, ter afirmado que «Nunes da Rosa é o mais autêntico representante do açorianismo literário, superior neste ponto de vista a Florêncio Terra, e comparável a Vitorino Nemésio e a Cortes Rodrigues.»
Nunes da Rosa esteve, claramente, à frente dos do seu tempo, mas, em muitos aspectos mesmo, do seu próprio tempo, quer como decidido regionalista na literatura, quer como um homem de visão progressista no campo da educação, e da educação agrícola em especial, apelando, fortemente, para a frequência da escola, porque só assim entendia ser possível e desejável a melhoria sustentável da qualidade de vida.
Monárquico ferrenho, Nunes da Rosa usou da palavra, na sua mais complexa amplitude literária, pedagógica, política e religiosa com um distinto objectivo apelativo de fazer acontecer o progresso na sua ilha.
«» NUNES DA ROSA. ESTUDO E ANTOLOGIA «»
Esta antologia não quer substituir a nova edição dos dois livros de contos de Nunes da Rosa, que urge fazer, mas alargar o conhecimento da sua obra desconhecida, tornando-a acessível aos locais, aos regionais e aos nacionais. É a obra de um homem do final do século XIX e da 1.ª metade do século XX que, vivendo no Pico, sobretudo, e um pouco nas Flores, no Faial e na Terceira, nos dá a conhecer a sua época, de tanta precariedade, de tanta confusão política e de tanta falta de educação na formação das gentes, e em que “cortar nas gorduras do estado” de hoje era o mesmo que “cortar nas carnes do estado” desse tempo. Na sua obra jornalística há uma análise perspicaz, acutilante, crítica e carregada de muita e fina ironia, e onde os pontos de contacto com os tempos actuais são bem evidentes.
Houve uma deliberada intenção de privilegiar os jornais fundados e dirigidos por Nunes da Rosa – A Ordem e Sinos d’Aldeia –, publicados na rural freguesia das Bandeiras da ilha do Pico, atestando esse facto, só por si e tendo em conta a época, um real e marcante significado cultural.

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