R. Lino – poemas (001)

14.

digamos que há paisagens que prevalecem:

umas sobre as outras

na voz vária que as apresenta;

digamos que uma enorme semelhança

vem conduzir

os fios contados da diferença;

digamos que tudo, relativo, se expande

na finita dimensão

de quem conta para trás

o nome de um princípio

que foi antes de um começo;

digamos que um corpo se determina

na largura continuada

ou na fuga mais caiada

dos sons que o vento faz

nas canções desta planície;

digamos que este é o sítio

que das sementes mais exige

e por essa geografia aqui impele

o pouco nome das casas.

digamos finalmente que os trigos por aqui

ondeiam céus por amarelos…

R. Lino, Paisagens de Além Tejo, Lisboa, 1986.

R Lino,, Paisagens de alem tejo«Os poemas de R. Lino resgatam o Alentejo (enquanto tópico, motivo, lugar poético) do simplismo heróico-miseravilista, restituindo-o numa visão do mundo colhida do interior do ser, numa linguagem especularmente seca, dando a ler estas Paisagens de Além Tejo como uma complexa e singular corografia interior (uma descrição dos territórios da memória)» Jorge Fazenda Lourenço, Expresso/Cartaz, 21 de Fevereiro de 1987.

[ sobre : Predação : Urânia, nós e as musas, edição da autora, 2012 ver aqui ]

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