Archive for Março, 2013

25 de Março de 2013

Colecção azulcobalto/teatro

Dia Mundial do Teatro

COMPANHIA DAS ILHAS

LANÇA COLECÇÃO DE TEATRO 

A editora Companhia das Ilhas lança uma colecção de teatro dirigida por Rui Pina Coelho e Carlos Alberto Machado. No início da sua actividade, a editora publicou Bela Dona e Outros Monólogos, de Pedro Eiras, na colecção azulcobalto, que, a partir de agora, se renova como série autónoma dedicada à publicação de textos teatrais de autores portugueses contemporâneos – a azulcobalto / teatro.

Esta azulcobalto / teatro da Companhia das Ilhas é especialmente dedicada à edição de peças breves. Monólogos, dramas poéticos, peças em um acto, debuxos teatrais, enfim, textos para teatro de pequena dimensão. São textos já apresentados em palco e que com a edição vêem a sua vida prolongada. São textos que aguardam ainda a concretização cénica. São textos construídos para um espectáculo em particular e muito próximos do palco. São textos escritos pelo combate entre o autor e a página. São textos resultantes de contextos muito diversos, mas todos eles indiciando a vitalidade da nova dramaturgia portuguesa no século XXI e que comprovam a dinâmica da literatura dramática portuguesa contemporânea.

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25 de Março de 2013

Livros de Abril # 02

O Escuro Anterior

de Luís Carlos Patraquim

é um dos livros de Abril da Companhia das Ilhas

Capa_Patraquim_V1

Eu vi a máquina fora do mundo
um brilho ácido arterial
aos gomos
a máquina pedra
multifacetada
e não obstante
informe

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25 de Março de 2013

Livros de Abril # 01

Manucure

de Rosalina Marshal

é um dos livros de Abril da Companhia das Ilhas

Capa Rosalina_REV1

«Os polidores da minha sensação»

quando abro a mala
o forro frio que já foi outro
surpreende-me sempre
inesperado odor
de cama de São José
onde me apalparam a perna
e disseram que não merecia levar gesso.

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19 de Março de 2013

Sete novos MY QUICK NOTES Açores

A Companhia das Ilhas tem 7 novos MY QUICK NOTES-AÇORES.

Vaca-leiteira

Vaca-leiteira

Os MY QUICK NOTES AÇORES são cadernos de apontamentos com 72 páginas coloridas
Cartolinas e papéis ecológicos
Formato bolso (11 x 15 cm): € 3,45
Formato grande (14 x 22 cm): €5,30 (por encomenda)

Os primeiros My Quick Notes (de 2012, também disponíveis) tiveram como motivos os Cachalotes (com variações) e a «Rainha» do Espírito Santo

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17 de Março de 2013

Luís Filipe Cristóvão sobre O Fardo do Homem Branco

O Fardo do Homem Branco

de Madalena de Castro Campos

por Luís Filipe Cristóvão

«O que se conhecia de Madalena de Castro Campos, que tem vindo a publicar no blogue les cahiers de la mariée, já dava o tom daquilo que se encontra n’ O Fardo do Homem Branco, o seu primeiro livro, publicado pela açoriana Companhia das Ilhas. Uma poesia fortemente cínica, no modo como a partir de uma personagem feminina vai desconstruindo o marialvismo ainda latente na cultura portuguesa. A utilização, no título, da referência a Rudyard Kipling, acaba por dar um tom pesadamente irónico ao que encontramos dentro deste pequeno volume.

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15 de Março de 2013

Francisco Costa Jr sobre Manuel Tomás

Maroiço, de Manuel Tomás

Um livro é sempre uma viagem pessoal e íntima, a do autor e a do leitor. Por isso, o livro depois de lido, deixa de ser propriedade exclusiva do seu criador, para se reinventar através do olhar e da visão do mundo de quem o lê. Este livro é, neste contexto de apropriação, o “meu” livro, porque lido por mim.

Maroiço, o livro de poesia de Manuel Tomás, é uma espécie de radiografia da alma do autor e da sua relação, profunda e orgânica, com a ilha do Pico. No livro, como numa redoma de saudade que nunca foi quebrada, as impressões do autor guardam toda a pureza original. Intemporal e mítica, a paisagem geográfica é, nos seus sentidos, uma eterna miragem.

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15 de Março de 2013

Livreira “esmurrada”

In folio livraria«Num pequeno pacote, com outros dois títulos, chegou pela manhã. Gosto de jogos de referências, de literatura dentro de literatura, e o título, que também é o de um poema do Kipling que julgava esquecido, surpreendeu-me. Assim, feito o trabalho técnico e antes das arrumações, peguei neste volumito e li-o. Poemas curtos, incomodativos, de uma violência que nos atinge no estômago, também na alma (se ela existir e nos habitar), e que me reenvia para o que sempre sinto quando olho os quadros da Paula Rego.
Literatura também é esta capacidade para sacudir e incomodar.»

[ daqui ]

Capa Madalena C Campos_REV2

 

 

13 de Março de 2013

Os livros de Nuno Costa Santos

BANALIDADE E BELEZA

A maneira como o Nuno Costa Santos edita a sua poesia parece-me semelhante à maneira como edito a minha música. Quando estamos juntos vai-me passando mais um pequeno livro dele que ainda não tinha, como lhe vou passando os meus discos. As tiragens costumam ser modestas, como o melhor do do it yourself, ao mesmo tempo que o cuidado gráfico é exemplar. O ritmo do Nuno é tão frequente quanto subterrâneo, passando por baixo das agendas editoriais. Quando nos oferece um dos seus livros já não nos surpreende por mais um volume do qual não nos tínhamos apercebido porque já estamos habituados a esse trânsito primeiramente como um ciclo de amizade.

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12 de Março de 2013

Rui Almeida – poemas (001)

Uma pedrinha e outra pedrinha,
Folhas de árvore, várias, de várias formas,
Um troço de madeira, um fruto
Seco a aflorar ao rés da terra.
Coisas. Momentos do mundo
Que é o que surge diante. Nada diz
Mais do que é ou pode ser:
Um pedaço de musgo é a sua cor,
O seu cheiro, a textura quando a mão
Se encontra com ele. Tudo isso
É já o que podia ser. E nada morre,
Nada se consome na possibilidade de não ser
Porque tudo é. A não ser o tempo,
Coisa sem ser coisa, que não é,
Mas persiste dentro e fora
Deste e daquele pormenor, em cada vida.

[ inédito, Terça-feira, 12, Março 2013 ]

Rui-Almeida

10 de Março de 2013

Entrevistas «Novos Livros» – José Pinto de Sá

Entrevista de JA Nunes Carneiro

1 – O que representa, no contexto da sua obra, o livro Os Filhos de Mussa Mbiki?

R – Há quarenta anos que ganho a vida a escrever. Entre reportagem, ficção, guionismo, tradução, etc., já produzi e publiquei milhões de caracteres de texto para jornais, revistas, teatro, rádio, cinema, fotonovelas, sites, sei lá…  Não posso, talvez, viver sem escrever, mas posso com certeza viver sem publicar. Creio que escrevo para me definir, mas não necessariamente perante os outros. Além disso, sempre entendi que, antes de publicar um livro, um autor deve ponderar se aquilo que o mundo vai ganhar com aquela edição justifica os danos ambientais que a inerente produção de celulose acarreta. Não estando certo de passar nesse teste, vivi feliz sem livro publicado até que, recentemente, uma série de acontecimentos me levou a repensar a questão. Enumerando: apaixonei-me; vi-me privado de um filho ainda criança; diagnosticaram-me um cancro; e fui avô pela primeira vez. A mulher por quem me apaixonei, a Joana Caspurro, deu-me um conselho que foi determinante. Quando lhe pedi a opinião sobre um romance que eu andava a escrever, respondeu-me “Esquece. Devias é publicar os teus contos.” E eu fui ao computador ver o que lá tinha que pudesse reunir, com coerência, numa recolha de contos.
Jose_Pinto_de_Sa_foto_Ivone_Ralha
10 de Março de 2013

Entrevistas «Novos Livros» – Carlos Alberto Machado

1- O que representa, no contexto da sua obra o livro Uma Viagem Romântica a Moscovo?
R – Não gosto de falar de “obra” – embora perceba que é difícil encontrar um termo ou expressão que não denote com tanta força um sentido de fechamento e de finitude atribuído a um livro que se vai sucedendo a outro na vida de uma pessoa (que sequer pode ter a certeza se não será o último).
Uma Viagem Romântica a Moscovo é um livro de poemas que simplesmente se sucede a outros e, espero, não venha a ser o derradeiro.
Carlos Alberto Machado

Carlos Alberto Machado

2 – Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Não faço projectos de livros, no máximo anoto palavras, delineamentos, coisas vagas. Neste pequeno livro está muito presente o meu quotidiano numa certa rua de um bairro lisboeta, que foi o meu “bairro natal” e, talvez por isso, ele se deixe atravessar por pessoas e acontecimentos, memórias, de outras pessoas e vivências mais longínquas.
De qualquer modo, o livro não é um descritivo do “real”, não é uma “etnografia de sentimentos”, por muito que eu preze esses olhares. É, como todos os outros, eu e a (minha) linguagem em confrontos vários, até à morte. Com muitos corpos dentro, claro.
10 de Março de 2013

Entrevistas «Novos Livros» – R. Lino

1 – O que representa, no contexto da sua obra, o livro Baixo-Relevo?
2 – Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R – Assumindo que tal possibilidade me é concedida enquanto entrevistada, vou incluir, numa única resposta, as duas primeiras perguntas. Existem entre elas tantos laços – de causas, de efeitos e de reiteradas insistências-, que tenho alguma dificuldade em separá-los, tanto mais que, em poesia, são muitas vezes os versos, nossos ou de outros, que dão origem à fala das ideias.
R_ Lino_PBBaixo-Relevo, corajosamente editado este ano pela extraordinária Companhia das Ilhas, de Carlos Alberto Machado, acabou por ser um pequeno livro de homenagem declarada à escrita e, em particular, à escrita poética; ao  seu trabalho de criação, de destruição e de recriação; aos seus modos específicos de fazer respirar as palavras e o tempo. Os nomes que evoco (explicitados ou apenas sugeridos) fundaram, em mim, preferências e rejeições. É, também, e mais uma vez, um livro de vozes anónimas e de circunstâncias que desaguam nos dias do meu corpo, nos do meu país e nos do planeta em que vivo, escrevendo-as  ora a partir de “tanto sonho / que gera por isso o que falta / e que às vezes é medonho”, ora a partir das “alegrias que eu vi / quando em cheio lhes acertavam / todas as horas da fantasia”.
Este livro, que acolheu dois  poemas mais antigos do que ele, acolheu, igualmente, alguns poemas que fui escrevendo enquanto  me encaminhava para, ou atravessava, a construção de outros livros: num primeiro momento, os dois últimos publicados na década de 80 do século passado; num segundo momento, :Predação: / Urânia, Nós e as Musas, publicado em Setembro de 2012.  Talvez seja esta a outra explicação para que, nele, apareçam duas “artes poéticas”.
Quanto ao título, faço votos para que seja o decifrado enigma da viagem que é proposta a cada leitor.
10 de Março de 2013

Entrevistas «Novos Livros» – Luis Maffei

Entrevista de JA Nunes Carneiro

1 – O que representa, no contexto da sua obra, o livro Signos de Camões?

R -Representa criar sentidos a partir da obra camoniana e perseguir novos entendimentos do que Camões escreveu – certa vez eu disse, numa entrevista, que escrevia, entre outros fitos, para entender melhor a poesia camoniana. Fantasiar Camões nos diversos signos zodiacais possibilita uma viagem por signos que vão além dos astros, mas que passeiam entre eles com a maior atenção. Isso permite que eu, como poeta, invista numa dicção tão própria quanto possível, cônscio, no entanto, de que não há idiomas assim tão pessoais.

Sempre gostei de brincar com a forma fixa, e neste livro faço-o de modo mais intenso, sem deixar o verso livre, ou melhor, plurimétrico. Signos de Camões é meu quinto livro de poemas; não sei se representa necessariamente uma viragem, mas é conjunto que, quero crer, revela com alguma eficácia o que quero experimentar em poesia.

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4 de Março de 2013

Patraquim sobre Pinto de Sá

OS FILHOS DE MUSSA MBIKI

Nada se recomenda neste nóvel escritor: «abandonou muito jovem os estudos e vagueou durante sete anos pela Europa, exercendo as mais variadas profissões». Sete anos de pastor a servir Raquel, urbana bela. As do amor infinito enquanto dura, como queria Vinicius. E a ilustrar-se, num on the road cosmopolita, encalhado na Europa, ancorado em Moçambique. Acusado de vagabundagem, o poeta russo Joseph Brosdky foi preso e depois expulso da União Soviética. José Pinto de Sá vagueou e vagueia pelos admiráveis caminhos de si e do mundo a que se sente ligado. É um felino. Ao menor sinal de vida pulsante, agónica que seja, José Pinto de Sá está presente, envolve-se. Embora tudo já pareça fora de moda, o autor de Os Filhos de Mussa Mbiki é um existencialista que sabe, a espaços, precaver-se e reflectir na «arrière boutique» que Montaigne aconselhava. Mas não acha, citando a famosa frase, que o inferno sejam os outros. E a sua náusea deriva de um imperativo ético e de dignidade, sem maniqueísmos de nenhuma espécie. Por isso escreve, escreveu sempre.

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2 de Março de 2013

R. Lino – poemas (001)

14.

digamos que há paisagens que prevalecem:

umas sobre as outras

na voz vária que as apresenta;

digamos que uma enorme semelhança

vem conduzir

os fios contados da diferença;

digamos que tudo, relativo, se expande

na finita dimensão

de quem conta para trás

o nome de um princípio

que foi antes de um começo;

digamos que um corpo se determina

na largura continuada

ou na fuga mais caiada

dos sons que o vento faz

nas canções desta planície;

digamos que este é o sítio

que das sementes mais exige

e por essa geografia aqui impele

o pouco nome das casas.

digamos finalmente que os trigos por aqui

ondeiam céus por amarelos…

R. Lino, Paisagens de Além Tejo, Lisboa, 1986.

R Lino,, Paisagens de alem tejo«Os poemas de R. Lino resgatam o Alentejo (enquanto tópico, motivo, lugar poético) do simplismo heróico-miseravilista, restituindo-o numa visão do mundo colhida do interior do ser, numa linguagem especularmente seca, dando a ler estas Paisagens de Além Tejo como uma complexa e singular corografia interior (uma descrição dos territórios da memória)» Jorge Fazenda Lourenço, Expresso/Cartaz, 21 de Fevereiro de 1987.

[ sobre : Predação : Urânia, nós e as musas, edição da autora, 2012 ver aqui ]