Urbano Bettencourt sobre A Minha Gata

«Não por acaso, o livro de João Paulo Cotrim vem dedicado a Manuel António Pina, o poeta falecido no mês passado e cujos gatos se tornaram emblemáticos de uma iconografia pessoal, quase tendendo por vezes, no espaço e no discurso públicos, a sobrepor-se à figura e à actividade do poeta e do cronista. (…) No seu andamento narrativo e descritivo, os poemas de João Paulo Cotrim compõem a figura deste animal simultaneamente íntimo e esquivo, e ao mesmo tempo dão conta do exercício de convivialidade doméstica entre poeta e bicho: a leitura e a interpretação de alguns sinais, a anotação dos pequenos gestos e comportamentos, em fragmentos muitos breves, por vezes de natureza aforística mesmo, perfazem uma espécie de jogo do gato e do… poeta, num relacionamento ora próximo e chegado, ora distanciado por via do registo irónico que, amiúde, assinala a perspectiva sobre os acontecimentos (por exemplo, pp. 23 ou 25). E estes são ainda os de um quotidiano ameno, sem grandes atritos, embora com a perplexidade ocasional do poeta perante certos comportamentos próprios de um animal que tem duas patas na sala e duas ainda na selva, como todo o gato ou gata que se preza. E é disso tudo que nos fala este livro de João Paulo Cotrim.»

Urbano Bettencourt (apresentação do livro na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, 3 de Novembro de 2012)

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