Fiama Hasse Pais Brandão – poemas (002)

MARÉ

Quando a maré baixa sob o céu róseo,

são a terra e a areia que absorvem

o infindo fumo e a neblina.

Além, um pescador; além, uma gaivota;

são os mesmos corpos movendo-se,

são a mesma inércia da morte.

O pescador revolve a areia

acocorado sobre algas douradas

em busca de mínimos seres vivos.

Um imenso bando de gaivotas intenta

separar de súbito o céu da terra

como se estas águas da ria,

tão lisas, fossem a antimatéria.

Obra Breve. Poesia reunida. Lisboa. Assírio & Alvim. 2006.

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