Natália Correia – poemas (013)

MÁTRIA 13

Fotões de cólera que a amorosa retina

transforma em pássaros dentro da cabeça

violenta cumplicidade dos amantes

que as asas faz bater do coração da deusa

 

mátria dos homens que levam no perfil

atravessada uma mulher de flores ao vento

como um olho dando para os intemporais

flancos que o amor vai iluminando

 

homens com quedas de água de mulheres por dentro

recrutas do amor matriotas celestes

únicos e radiosos de acordados

numa bela manhã de prata extraterrestre

 

O pártenon há muito constipado

espirrando por fim o pó dos imortais

Tufos de erva saindo dos ouvidos

surdos das catedrais.     Alma do mármore

fugindo de ser publicamente generais

a paz ensaboando a pele do homem novo

a liberdade de ser todos Anaíta

à frente dos amantes o seu povo

 

Homens futuramente já o meu amado

e nisto o par escandaloso somos

eva e adão dos que vão estar sentados

nos joelhos da deusa fabulosos de tronos

 

Onde o dedo de florir a distância

de uma criança aponta coluna te proclamo

do matronal mistério que oficio

 

Mas se espalhares o unicaule ramo

de seres amante a dar sombra de filho

se lenha fores do incendiário cio

do bode teu pavor de deslembrado

trevo na relva do virginal arcano

 

pelo púbis da Santa te maldigo!

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

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