Natália Correia – poemas (012)

MÁTRIA 12

Poesia em cujo olvido o mundo

o galopar da sua infância escuta

mais não és que saber isto sobretudo

se o meu seio é uma flor na boca

 

do amado que na mesa do meu ventre

os castiçais acende de Anaíta

e o homem sua origem surpreende

ser jorro de água da mulher que a deusa fita

 

o amor inventando o meu corpo de fresco

sítio onde na se morre bater de palmas do espírito

e o começo de tudo não é mais que um ponto

no crânio de cristal do meu amigo

 

Palavras em cuja ânfora o mundo

recolhe o pólen da sua idade de ouro

palavras mais não sois que dizer isto

como explicam o sol as asas de um besouro

 

como o ar faz girar suas mesas falantes

invocando o antípoda sopro que o medita

carícias mais não sois que colhermos morangos

num movimento puro de Anaíta

 

animais bifrontes do amor

não sois mais que a assombrada silhueta

da Matrona que procura vossos raios

com seu espelho ultravioleta

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s