Natália Correia – poemas (010)

MÁTRIA 10

O vendaval de cavalos

a toalha do mundo puxou

e das recolhidas paisagens

os copos de prata derrubou

sobre eufóricos dóricos falsos

o empíreo fêmea estremeceu

no muro branco de Anaíta

a sombra da lança bateu

era o meio-dia em ponto

da glório do indo-europeu

que a materna vogal fechou

no céu que às cegas escreveu

é apressado o verbo ter

ó erva em marcha chamada pai

cartas do mundo baralhadas

e ás de guerra que sempre sai

 

usurpador das cadeiras de brisa

onde as árvores sedentárias

em voz baixa falavam do mar

Tua memória pincel em chamas

já o malmequer não sabe pintar?

 

Fisco de sensações blindadas

a que os rios não podem passar

noite de térmitas cobrindo a página

branca da mulher a cantar

 

homem guindaste içando a terra

arte limpa de matar        Indústria

Cheiro a queimado das cidades

onde se despeja teu saco de angústia

 

homem de luto por Anaíta

azul como o céu esquecido

que nos incendiados jardins

da tua memória passeia

vagarosa e vestida de vidro

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

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