Natália Correia – poemas (008)

Mátria 8

Ians Hoornik Gabor Lars Peters

Manolo Sanchez os teus rostos

dores minhas de procriar-te

amado unicamente todos

minha doce e húmida arte

de ser côncava e percorrida

lago teu milhas de prata

do teu sonho mais comprido

sorriso de amêndoas que abro

na boca de Anaíta que sirvo

Agora há uma hora certa

em que o mundo medita a ave

de longo curso que te chamas

agora sais naturalmente

do teu corpo agora amas

agora mesmo em teus gestos

crianças enchem de flores

feridas abertas por granadas

e as fitas podres dos mortos

se desenrolam no ar

das tuas mãos miraculadas

agora estás inteiramente verde

na primavera absoluta

da tua extravagância interior

e nenhuma folha se perde

se os cabelos brancos do mundo

pintas com o louro do teu amor

agora a matilha das horas

larga o calcanhar do tempo

que no meu bosque te demoras

Adormeces e em meus braços

daqui a mil anos acordas

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

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