Natália Correia – poemas (004)

Mátria 4

Copenhaga lavando os cabelos

na fonte do amor que nascia!

Os sinos da Trinitatis

quatro açucenas batiam.

Nevoentas maçãs abriam

na laje as patas de Março

com cornos de pássaros que vinham

do Egipto calar a neve.

No quarto em quadrados de açucar

nítido o amor se espalhava.

Dentro do meu milho latino

Lars Peters ria um riso de água

que o fogo do tempo consumia.

Folhas secas de Copenhaga

ao vento que o adeus assobia!

Os sinos da Trinitatis

quatro açucenas mordiam

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

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