Natália Correia – poemas (005)

Mátria 5

Piaza de Fiore        húngaros dedos

em minha nuca mimosas soletravam

tinham braços roliços as janelas

com colheres de ouro o céu comia o caldo

exíguo das vielas Fontes sopranos

davam o dó de peito da cidade

Violino de folhas amarelas

o Tibre abria o pêssego da tarde

Nos arredores metálicos do dia

(ranger de dentes das minhas sensações)

a lixa do adeus polia

unhas aduncas de aviões

Oh o sorriso carnívro das cidades

que os amantes balouçam

em bancos públicos de arminho!

Despedida: ave encravada

numa lágrima de alumínio

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

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