Natália Correia – poemas (003)

Mátria 3

Pontualmente uma árvore de vinho

nasce onde o cateto do homem

e o curso de água feminino

um ponto de verdura formam

verdura dos olhos de Anaíta

por nossas carícias semeada

que passeios de tílias nas cidades

para a pureza do encontro guarda

Anaíta que a raiz do homem

na terra da mulher prepara

e as extremidades do mundo

num ramos de amor ata

Anaíta que as árvores conhecem

por seu nome próprio de mirtos

Madona que as aves voam

seu fresco bater de cílios

Madona que à cabeça traz

a abismada bilha dos espaços

maçã celeste que se destila

no alambique dos afagos

pé da distância despomtada

que vai beijar o poente

madremusgo lente fumada

com que olhamos o sol de frente

anca do mundo requebrada

estrela que guarda em seu lenço

os beijos com que sopramos

a nossa bolha de silêncio

ouvido que o crescer dos abetos

no bosque da cópula escuta.

Mulher! oh rito de Anaíta

meio castiçal meio puta

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

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