Natália Correia – poemas (001)

MÁTRIA 1

Combustível o bode se encorpora

no gesto e penúltimo o homem

se compenetra funcionário

da sua adiada escória

Da bomba o guincho de giz

no quadro preto da memória

pontos de sangue em nossos ii

HISTÓRIA aos quadradinhos ora

o bípede era uma vez

não identificado objecto

um não saber que fazer

de não ser propriamente insecto

com conta aberta em Andrómeda

e uísque em Vésper por minério

Ó cosmonauta! comichão

de não encontrares teu cemitério

mundo imundo como o mundo

homem bilião de formigas

suando o vidro de cidades

por mísseis interrompidas

presente como lixo varrido

pela vassoura do adiante

pressa de mãos que estrangulam

uma criança no volante

sábio como autopintado

com o medo de seres real

homem conforme os atirados

dados da tua vertical

homem sem calma como ter calma

alma como pombo-correio

que vem pousar na tua linha

sem que tu saibas por que veio

lógica como paragógica

cabra que rumina a ruína

ardidas pinhas do pinheiro europa

queimada lã da ovelha hiroxima

fumegante palha da ásia

na boca do boi américa

rato da china roendo o mapa

Terra insolentemente esférica

saibro da carne desvivida

com que o homem seu sorriso faz

No mostrador das carícias

falta um minuto para o caos

As maçãs de Orestes. Lisboa. Dom Quixote. 1970.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s