Eduardo Guerra Carneiro – poemas (001)

I

A dor é isto: um vazio. E sentir

depois um vazio maior – esperar

a morte. Escrevo, assim, convicto,

num estado semelhante ao pó,

mas em lava ardente procuro

a maneira ainda de incendiar.

A morte é isto? Um vazio? Mas

escrevo para contar aos outros

deste sentimento estranho. Ao espelho

vejo ressentimento, usura, uso

e abuso do tempo que me deram.

E ardo na paixão gelada, sem morrer.

Espero por ti, seguro que já sei

nada mais de ti esperar.

Profissão de Fé. Lisboa. Quetzal. 1990.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s