Manuel António Pina – poemas (001)

AS COISAS

Há em todas as coisas uma mais-que-coisa

fitando-nos como se dissesse: «Sou eu»,

algo que já lá não está ou se perdeu

antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.

Em certa tardes altas,  absolutas,

quando o mundo por fim nos recebe

como se também nós fôssemos mundo,

a nossa própria ausência é uma coisa.

Então acorda a casa e os livros iamginam-nos

do tamanho da sua solidão.

Também nós tivemos um nome

mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.

Como se desenha uma casa. Lisboa. Assírio & Alvim, 2011

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s