Pedro da Silveira – poemas (001)

SONETO DE IDENTIDADE

“Chamo-me Pedro, sou Silveira e sou

também Mendonça: um tanto duro, como

Pedro é pedra; picante agudo assomo

de silva dos silvedos — não me dou

Raiz flamenga, já se sabe; e um gomo,

no fruto, castelhano. E assim bem pou-

co, pois, que doce me passara à ou-

tra pátria (língua?) que me coube e tomo.

Ainda Henriques (alemão? polaco?)

e outros cognomes mais: espelho opaco

de errâncias várias, que mal sei (desfaço,

talvez por isso, no que faço.) Ilhéu

da casca até ao cerne — e lá vou eu,

sem ambição maior que o livre espaço”.

Poemas ausentes. Santarém. O Mirante. 1999.

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One Comment to “Pedro da Silveira – poemas (001)”

  1. Um Senhor, simples como os grandes, e duma verticalidade que se sentia na sua presença. Sempre elevou os ilheus à altura do Pico e mais além, E desapareceu sem comemorações, mas perpetuando-se na sua obra e servindo de exemplo para os que procuram servir o proximo.
    Hermano

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