Jorge Fazenda Lourenço – poemas (001)

ao Jorge de Sena

Trago-te imenso na distância os olhos

que nunca tive mestre

e eram os teus sobre os meus.

Esta vida foste tu que o disseste? é

um punhado de terra amarga um golpe

que sofremos na sofrida sepultura.

Não digo do que ensinaste

a mim e a outros

foste tu que o disseste, estou certo

agora, que tudo se aprende não se ensina.

De ti herdámos

um destino contra os que

um trapo na boca nos querem filar:

tragar, tragar, tragar.

Pedra de afiar. Lisboa. IN-CM. 1983.

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