Archive for Setembro, 2012

30 de Setembro de 2012

Picolândia já chegou

O livro de crónicas de Manuel Tomás, Picolândia, já está disponível para os leitores. São momentos, acontecimentos, ideias – sempre com alguma ironia e riso à mistura. A obra inaugura a nossa terceira colecção, a Terra Açoriana.

Estão agendadas as primeiras sessões de apresentação da obra:

» Na Madalena, ilha do Pico, dia 27 de Outubro, pelas 20 horas, no Salão da Sociedade Filarmónica União e Progresso Madalense com apresentação de José António Soares, presidente do Círculo de Amigos da Ilha do Pico, a que pertence o jornal Ilha Maior, onde inicialmente foram publicadas as crónicas de Manuel Tomás. Esta sessão integra-se na  iniciativa de A diáspora.com, subordinada ao tema O Verbo Viajeiro: A matriz açoriana na dispersão da língua portuguesa pelo Mundo.

» Na Horta, ilha do Faial, dia 8 de Novembro, pelas 21 horas, na Biblioteca Pública e Arquivo Municipal. Apresentação de Vítor Rui Dores e leitura de textos por Maria do Céu Brito.

 

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30 de Setembro de 2012

Adília Lopes – poemas (001)

LA FEMME DE TRENT ANS

Amarás

o meu nariz

brilhante

as minhas estrias

os meus pontos pretos

os meus achaques

e as minhas manias

e as minhas gatas

de solteirona

ou não me amarás.

Sete rios entre campos. Lisboa. & etc. 1999.

29 de Setembro de 2012

Promoção de Natal

Por cada compra de livros no valor de 20 euros oferecemos um caderno de notas QuickTour de bolso no valor de 3,45 euros.

Portes grátis para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e Portugal Continental.

Campanha válida de 1 de Outubro a 31 de Dezembro de 2012 

29 de Setembro de 2012

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Portes grátis para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e Portugal Continental.

Campanha válida de 1 de Outubro a 31 de Dezembro de 2012 

 

29 de Setembro de 2012

Eduarda Chiote – poemas (001)

CORAÇÃO ARDOR DE CÉU E ESGOTO

Ah! que tumultuosas experiências transporto

em meu coração!

Assim não fora e não transbordaria

ora de violentos impulsos ora de doces hesitações,

que não entende ardor

pois vestes rasga e se cobrindo inverno.

Amo o que perco

e o cântico de jaspe em minha boca

conhece abundantemente

céu e esgoto.

Não sabendo desistir quanto mais lutar,

de que serve, no deserto,

o espantalho de duas crianças completamente loucas?

Ainda se pudesse fixar-me mais demoradamente

numa sem prejuízo de outra,

mas não

que a fidelidade de esposo rivaliza com a traição

de amante

e me deixando sem alívio ou escolha.

Branca Morte. Lisboa. & etc. 1994.

28 de Setembro de 2012

Ana Duarte – poemas (001)

DAS TUAS MÃOS

Das tuas mãos saem

coisas maravilhosas

– por exemplo,

os meus seios.

Revista Criatura 6. Lisboa. 2011.

27 de Setembro de 2012

Inês Dias – poemas (001)

NOSTALGHIA

Ouvia-te falar e sentia

as chamas retomarem

as paredes do teu coração

de igreja abandonada.

O céu, nessa tarde,

era um leque de lantejoulas

ao rés do teu sorriso

e dos meus olhos encadeados.

Doía-me esse excesso de luz

que te fazia toda sombra,

o crepitar morno da pele

antes do incêncio consumado.

 

Sempre que dizias o seu nome,

riscavas outro fósforo –

ele avançava dentro de ti,

nas mãos uma vela prestes a cair.

Amo demasiado o fogo

para a suster. Prefiro

redesenhar as nossas cicatrizes,

ser depois a memória da pedra

fria em pleno Verão.

Resumo. A poesia em 2011 [antologia]. Lisboa. Documenta/FNAC. 2012.

26 de Setembro de 2012

Ana Paula Inácio – poemas (001)

Homenagem a 4 poetas e 1 cineasta

 

Livra-me das tentações

de fugir ao fisco

e que em Fevereiro pague sempre

os meus impostos.

Afasta-me do supérfluo e

da vaidade e recorda-me sempre que

um dia hei-de ter hemorróidas.

E não me deixes cair em pecado

da ideologia

para que não leve com o proletariado nas trombas.

Guia-me pelos caminhos do amor

até um centro comercial

onde o amado me acompanhará

a experimentar um a um cada vestido.

E, por íltimo, faz com que

todo o iogurte que coma seja

– foda-se! –

de morango.

Resumo. A poesia em 2011 [antologia]. Lisboa. Documenta/FNAC. 2012.

25 de Setembro de 2012

Bénédict Houart – poemas (001)

o que eu queria da vida

aproxima-se tanto da morte

que por vezes é aterrador

valha-me um pavão e

outras coisas assim com asas

e bicos e muitas penas por colorir

valha-me um corpo tremendo

reanimando-me as mãos

uma overdose de coisa nenhuma

que me ponha de nariz no chão

Resumo. A poesia em 2011 [antologia]. Lisboa. Documenta/FNAC. 2012.

24 de Setembro de 2012

Golgona Anghel – poemas (001)

Sobre a espera, repousa a esperança,

com dedos fininhos e olhos embaciados.

Demasiado magra, alimenta-se de sonhos vazios.

Aprecia a segurança, está cheia de boas intenções,

mas contenta-se com a hesitação.

Quer vestir-se de linho

embora a viscose pese menos.

Não sabe nada

e no entanto pretende ensinar tudo.

Lá nas entrelinhas, entrevê-te ao longe.

O que faria ela sem ti, sem este silêncio,

sem esta distância?

Quantas madrugadas,

quantos passos,

quantas vidas,

quantos medos serão ainda precisos

para que estas ruínas acabem de se despedir?

Revista Criatura nº 6. Lisboa. Novembro de 2011.

23 de Setembro de 2012

Manuel de Freitas – poemas (001)

ESTUDOS CAMONIANOS

Estavas linda, Inês, e Camões

decerto não se importará

se eu disser que tinhas

posta no lugar a carne inteira

do meu futuro desassossego.

Aos poucos vai o corpo apodrecendo,

gentil da terra furor de que esquecemos

notícia e lastro, entretidos a morrer

por novas avenidas velhas

que cm breve nos não verão mais,

apartados pela vidinha.

Mas estavas tu linda, Inês,

alheia ou talvez nem tanto

ao cego conhecido engano

que por vezes se dissipa

antes mesmo de existir.

Game Over. Lisboa. & etc. 2002.

22 de Setembro de 2012

Eduardo Guerra Carneiro – poemas (001)

I

A dor é isto: um vazio. E sentir

depois um vazio maior – esperar

a morte. Escrevo, assim, convicto,

num estado semelhante ao pó,

mas em lava ardente procuro

a maneira ainda de incendiar.

A morte é isto? Um vazio? Mas

escrevo para contar aos outros

deste sentimento estranho. Ao espelho

vejo ressentimento, usura, uso

e abuso do tempo que me deram.

E ardo na paixão gelada, sem morrer.

Espero por ti, seguro que já sei

nada mais de ti esperar.

Profissão de Fé. Lisboa. Quetzal. 1990.

21 de Setembro de 2012

Manuel António Pina – poemas (001)

AS COISAS

Há em todas as coisas uma mais-que-coisa

fitando-nos como se dissesse: «Sou eu»,

algo que já lá não está ou se perdeu

antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.

Em certa tardes altas,  absolutas,

quando o mundo por fim nos recebe

como se também nós fôssemos mundo,

a nossa própria ausência é uma coisa.

Então acorda a casa e os livros iamginam-nos

do tamanho da sua solidão.

Também nós tivemos um nome

mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.

Como se desenha uma casa. Lisboa. Assírio & Alvim, 2011

20 de Setembro de 2012

Colóquio – Artes e Letras, digital

“Os 61 números da revista Colóquio, Revista de Artes e Letras (1959-1970) vão ficar disponíveis em versão digital a partir de 24 de setembro, num site precioso para todos os investigadores, nacionais e estrangeiros. Nas suas páginas podem encontrar-se textos de praticamente todos os grandes nomes do ensaio, da crítica, da arte e da literatura da segunda metade do século XX.
Em 1970, a revista seria desdobrada em duas publicações: Colóquio/Artes e Colóquio/Letras.

No primeiro editorial da Colóquio, Revista de Artes e Letras, pode ler-se: «Não são os iniciadores que justificam a necessidade e a utilidade de uma revista, artística ou literária, ou fazem a sua fama, mas sim os seus colaboradores e a continuidade e regularidade da sua publicação. / Lançando esta revista — Colóquio —, a Fundação Calouste Gulbenkian julga concorrer com mais um poderoso instrumento para a realização dos seus fins culturais na sociedade portuguesa. Assim se procura continuar a cumprir, sob mais uma modalidade, o pensamento do Fundador, que soube em vida — e quis que a sua obra continuasse após a morte — fomentar iniciativas ou auxiliar empreendimentos susceptíveis de dilatar as fronteiras do espírito humano.»

Aquilo que desde o início definiu o projeto de Colóquio foi a diversidade e a pluralidade de abordagens «sem dependência de escolas, de sectarismos ou de proselitismos», procurando afirmar-se como «um espelho da sociedade do nosso tempo». A revista dedica ensaios a todas as áreas da Arte e da Literatura, não exclusivamente portuguesas. Mas se há que encontrar matéria de base para uma história da arte em Portugal, desde o lado mais conservador, passando pelos movimentos modernistas (sobretudo a obra de Almada e o surrealismo), até aos artistas que se revelam na década de 60 do século XX, é nesta revista que ela se manifesta.
A apresentação de dia 24 Setembro, que incluirá também o lançamento da edição 181 da revista Colóquio/Letras, será feita por Eduardo Lourenço, Guilherme d’Oliveira Martins e Nuno Júdice, às 18h30, na sala 1 da Fundação Calouste Gulbenkian.”

20 de Setembro de 2012

Llansol, Pessoa, Bach

IV Jornadas Llansolianas de Sintra, no fim de semana de 29 e 30 de Setembro no Palácio Valenças, em Sintra.
Tema: Pessoa e Bach na casa de Llansol
Comunicações de intensos leitores de Maria Gabriela Llansol
Performance por membros do C.E.M.
Concerto pelo Cantabile.
Lançamento do livro Llansol: A Luminosa vida dos objectos
Leituras por Diogo Dória.
Muitas e boas razões para se aceitarem o convite e entrarem na casa do texto de MGL, Pessoa e Bach.