Antero, ainda e sempre

Para o poeta Emanuel Jorge Botelho, Antero foi um ser incomunicativo, à espera de uma libertação, a falar “para dentro do silêncio, / esse lugar enxuto de palavras / onde deus guarda papel branco” – imagem forte que pode simbolizar a própria criação poética.

No “Caderno” de Urbano, o rosto de Antero é o motivo central. Surge ora contrastado quase a negro-branco, ora matizado, ora esboçado – como se desaparecesse diante dos nossos olhos inquiridores, ou tão pouco chegasse a existir. Num dos “retratos” oferece-se um rosto ensanguentado, melhor dizendo, um rosto sem rosto em que o sangue é a sua única identidade. O corpo (adormecido, morto?) não parece pacificado.

Precioso livro para nos acompanhar na leitura de Antero e na reflexão sobre a (sua) vida.

Antero de Quental, a vida e uma manhã. A life and a morning, de Emanuel Jorge Botelho (poemas) e Urbano (arte), Publiçor, 2010 (48 págs., €12)

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