África Frente e Verso

O novo livro de Urbano Bettencourt (Piedade, 1949), mergulha na guerra colonial. A sua experiência da Guiné acompanha-o até hoje – o último poema deste livro, “Agostos”, vem datado de 2011. Nos melhores momentos deste livro, como em “Da ilha carn(av)al”, de 1973, esbatem-se as fronteiras entre géneros e ficam as palavras na eterna luta do dizer o inominável (não apenas a guerra, ou o terror…). E delas ressalta, quem sabe se pela intensidade do vivido, outra intensidade, outra beleza (porque não?), porque a palavra é justa (ali), porque faz embater em nós ritmos, conjugações inesperadas, mas sempre com a força do retorno ao espaço e ao tempo do terror, espécie de ética de que Urbano não quer abdicar.

África Frente e Verso, de Urbano Bettencourt, Letras Lavadas, 2012 (86 págs.)

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